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Entrevista ao música D-Lon Entrevista ao música D-Lon

15 de Junho, 2015

Em Fevereiro, revelaste numa entrevista que consideras que o videoclip da música "Não Precisa" o melhor vídeo de Hip Hop do ano passado. Podes falar-nos mais sobre ele?

Considero um dos melhores videoclips do ano passado por causa do impacto que a própria música teve e pela ansiedade que criou nas pessoas em ver um videoclip da música, ter sido lançado e ter tido a recepção que teve. Por outro lado, porque a nível de produção foi um vídeo muito bem concebido e conseguido, graças ao esforço e empenho de todos os intervenientes. O vídeo foi, na maior parte, filmado numa casa na zona da Sommerschield 2 e no Havanna Bar, onde se simulou a situação de strip club onde a personagem do vídeo trabalhava. O conceito partiu de mim, com a conjugação de algumas ideias do CRBOY (o realizador) e com prévio contributo do A2 (também realizador de vídeos através da NDJANDO Produções).

E planos para 2015? Que novidades podemos esperar do D-Lon e da tua label, a Nice Recordz?

Este ano pretendo voltar à carga. Em termos de espectáculos, foram feitos muito poucos shows no ano passado, com propostas não aceites. Este ano estou um bocado mais receptivo porque já tenho material novo que as pessoas querem ver e ouvir, daí que lancei o projecto "Shows Nos Bairros", que iniciou no dia 07 de Março. Vou dar seguimento a essa mini tour que conta com a produção da Nice Recordz (NR). Relativamente à label, para além do projecto citado anteriormente, temos um artista de nome Vizzow Nice que assinou para a NR no final do ano passado. É um artista que faz Ghetto Zouk e que a NR vai lançar em breve.


A tua carreira musical começou em 2002, quando fundaste o grupo ELEX. Com todos os projectos dos quais fizeste parte, deves ter muito boas memórias. Há algum momento que destaques nestes 13 anos de carreira?

Há vários momentos que podem ser citados aqui: o primeiro show em que participamos depois de termos vencido o concurso do Music Box, com o vídeo mais votado durante 4 semanas consecutivas em primeiro lugar. Com isso ganhamos um show no Cine Teatro África com os Rockfellers, foi um momento muito marcante. Ter cantado em eventos como o Mozambique Fashion Week ou o Faces Vodacom... são vários os momentos que podem ser citados!


Qual consideras ser a característica mais importante para o teu sucesso enquanto músico?

A resposta a esta pergunta é muito simples. Uma vez alguém me disse que só há duas coisas que tu precisas nesta indústria musical: paciência e persistência. Estas duas palavras têm sido o segredo do meu sucesso, acoplado ao facto de escrever músicas que envolvem sentimento e [noção da] realidade, escolher sempre os produtores certos para cada tema, ouvir a opinião das pessoas próximas a mim e analisar a reacção das pessoas que não são da indústria musical. Saber exactamente o que quero e onde pretendo chegar com cada música. O mais difícil é manter-me aqui, não é chegar aqui — e para te manteres aqui tens que ser persistente e paciente. Outra coisa extremamente importante é ter um elevado nível de profissionalismo de tal forma que seja respeitado pelos demais. Podes não ser admirado mas ser respeitado e isso contribui bastante para permaneceres no topo e teres relevância enquanto artista.

D-lon

Como avalias o mercado musical de Moçambique e que conselho darias a um jovem que está a começar no mundo da música?

O mercado musical Moçambicano tem que ser descentralizado, está monopolizado por algumas pessoas que não pretendem ver outros músicos singrarem e vão colocando algumas barreiras e obstáculos, de tal forma que se dê o "pão" a quem lhes é benéfico. Para além de que artistas de outras províncias não se fazem sentir. Um artista do Norte e Centro, para fazer sucesso em Moçambique, tem que vir viver para Maputo para conseguir bater às portas e ser ouvido, Na minha opinião isso não é correcto, tem que haver uma maneira de descentralizar. Nas províncias existem artistas muito bons, mas os shows em Moz são todos em Maputo e os artistas presentes são todos os que vivem em Maputo. Imagine-se o quão frustrante e traumático deve ser para artistas que vivem fora de Maputo que têm vozes mais bonitas de que muitos cantores de Maputo e até músicas melhor elaboradas. Tirando isso, nota-se algum desenvolvimento na qualidade sonora das músicas, maior preocupação em escrever letras construtivas e que envolvam sentimento. Existindo isso, as pessoas também reagem positivamente. Ao jovem que está a começar, é preciso ter força de vontade, determinação, dedicação, aprender com os que já sabem, pedir aconselhamento e entrar no mercado firme, ciente e preparado para enfrentar todos os obstáculos que advenham da sua entrada na indústria musical. Adianto: não é fácil e não está fácil, é preciso ser "paciente e persistente" e não desistir.


E tirando a música, qual é a tua opinião acerca de Maputo, enquanto cidade?

Maputo é uma cidade maravilhosa, a nível cultural é meio pobre porque as pessoas que vivem cá estão muito globalizadas, consomem muito o que vem de fora do que esta cá dentro, se fores as províncias, ao Moçambique real, hás-de perceber que a realidade é outra e as pessoas preservam aspectos culturais e tradicionais de uma forma muito mais robusta do que aqui em Maputo. A nível social é o que se vê todos os dias, todos sabem da vida de todos e todos tem um comentário a tecer ou um ponto a acrescentar, consequência da cidade parecer ser grande mas é muito pequena, todos conhecem a todos, nada é novidade para ninguém e prontos, assim vai a nossa cidade das Acácias. Politicamente não tenho nada a tecer porque pouco me importo com essa vertente até ao ponto de tecer uma opinião sólida sobre o mesmo assunto.


Como sabes, o Jumia é uma plataforma que põe em contacto compradores e vendedores, tentando incentivar o comércio local. Achas importante existirem sites como este em Moçambique?

Acho importante sim, tanto é que o meu trabalho de fim de curso estava relacionado com estabelecimentos comerciais virtuais, que são uma realidade no mundo inteiro. Não vejo razão para não o serem em Moçambique. Hoje em dia compramos carros, mobília, roupas através de lojasvirtuais, acho que é uma iniciativa boa, desde que não coloque em risco os seus consumidores. Efectivamente ainda há de levar tempo até os Moçambicanos começarem a fazer uso destes serviços na sua plenitude, mas acredito que estejamos a caminhar a largos passos para lá chegar.


Onde fazes habitualmente as tuas compras?

Compro muito pouco porque muitas vezes as coisas são compradas para mim. Tenho um pai que viaja muito e normalmente as minhas peças de roupa, os meus telefones, vem tudo de fora, mais concretamente da Europa e África do Sul. No entanto, também faço uso das nossas lojas de roupa cá em Moçambique.


Quais são os items com os quais não consegues mesmo sair de casa quando vais dar um show?

SWAG (hehe, brincadeira). Levo comigo todo o material necessário para o show, CD ou Flash, os meus telemóveis, além da minha assistente (que vai sempre comigo para dar a conhecer aos organizadores a minha chegada). Depois uma toalha, água (isto exijo dos organizadores) e claro, o cachet! [risos]


D-lon

D-Lon é um rapper moçambicano nascido em 1986 na cidade de Maputo. Em 2002 fundou o grupo de hip-hop ELEX com Turaz e Kiko, tendo assinado com a Track Records durante 6 anos até ao seu encerramento. Em 2010 lançou a editora Nice Recordz e lançou a sua carreira a solo. O seu último trabalho de originais intitulado "Na Profundeza dos Meus Pensamentos" conta com o hit "Não Precisa".

nicerecordz.blogspot.pt

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