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Entrevista com a banda Gran'Mah

13 de Julho, 2015

Os Gran'Mah são uma banda moçambicana de World Music/Reggae Fusion, composta por 5 elementos: a vocalista Regina, o baterista Migz Wilson, o teclista Miguel Marques e Luy e Leo, a cargo da guitarra e baixo respectivamente. Prestes a lançar um álbum de originais, a banda falou com o Jumia sobre momentos chave da sua carreira e da indústria musical moçambicana.

Gran'Mah

Os Gran'Mah começaram em 2009 como banda de garagem. Podem falar-nos um pouco acerca do vosso percurso?

A banda começou a tocar em 2009 numa garagem em casa da avó do baixista da banda, que acabou dando nome à mesma. Conhecidos em Moçambique desde os últimos 2 anos, altura em que a banda se consolidou com os membros atuais, os Gran'Mah já participaram em vários festivais e eventos musicais: House on Fire 2013, Kome Cave Beer Festival 2014, HIFA 2015, Tofo Earth Festival, Ocean Festival, entre outros eventos no Gil Vicente, no Núcleo de Arte, etc. A banda ganhou o prémio de vídeo mais votado nos MMA 2012 (Mozambique Music Awards), dando oportunidade de abrir a gala do evento. Em 2014 a banda ganhou o prémio MMA de melhor música alternativa. Os Gran'Mah estrearam-se pela primeira vez no estrangeiro em Outubro de 2013, levando o nome de Moçambique a 2 festivais: We Love Dub e o Park Acoustics na África do Sul, tocando com várias das melhores bandas sul-africanas. Em Dezembro de 2013, participou também no Route 40 Music Festival e, de seguida, partilhou o palco com a banda aclamada mundialmente: Freshlyground.


Na vossa página do Facebook citam várias influências, desde o Bob Marley ao Kurt Cobain e Jim Morrison. De que forma é que a diversidade de géneros musicais que ouvem influencia o som dos Gran'Mah?

Uma das características da banda é precisamente os diferentes backgrounds musicais de cada um dos músicos. Apesar de partilharem vários gostos musicais, cada um foi moldado musicalmente de formas diferentes e com gostos diferentes. No inicio pensava-se ser difícil conciliar tais diferenças, no entanto, a realidade foi diferente e graças a essas diferenças o som dos Gran'Mah é, hoje em dia, único.


Já tocaram em vários eventos e festivais em Moçambique, mas também no estrangeiro. Como é a reacção do público à vossa música? Algum momento que recordem com mais carinho?

Recordamos todos os shows com carinho, cada um foi uma experiência única. É sempre um desafio tocar para audiências que nunca ouviram falar de nós e é extremamente gratificante saber que tais pessoas pagaram para nos ouvir e curtiram o nosso som. Os shows que lembramos com mais carinho são no Núcleo de Arte (2013) e o HIFA (2015). Foram espectáculos com uma energia extraordinária.


E a atual indústria musical em Moçambique, como a avaliam? É fácil para jovens como vocês começarem um projeto musical?

A indústria da música em Moçambique vive ainda num estado embrionário, existem poucas plataformas nas quais os artistas podem exibir a sua arte e o acesso às plataformas existentes não é fácil. Ser artista em Moçambique é um desafio, desde à compra dos instrumentos necessários ao espaço de ensaio para poder praticar e criar. É quase impossível viver da música, principalmente no início de uma carreira. A lei não protege os músicos e acaba por dificultar o progresso cultural em Moçambique. Há casos em que muitos são obrigados a escolher a carreira profissional em detrimento da sua música, no qual os trabalhadores de certas instituições não podem ser artistas por fazerem parte de um mundo de negócios "sério".  O acesso aos media é facilitado a certos nichos e dificultado a outros. O mesmo acontece com instituições que promovem a cultura, quer de carácter nacional ou internacional. Acabam sendo sempre os mesmos artistas a "vencer" todas as oportunidades. No entanto, nota-se uma certa força por parte destes e outros artistas emergentes em mudar a forma como a música é encarada em Moçambique. Cada vez existem mais eventos culturais com mais espaço para as bandas promoverem os seus trabalhos, bem como programas culturais que dão visibilidade a outras bandas. Estamos a ir pelo caminho certo mesmo que ainda estejamos longe do que achamos ideal. O mercado da música em Moçambique tem espaço para crescer e todos os artistas deveriam incentivar e ajudar, na medida do possível. Para começar um projeto musical é necessário paixão pelo que se faz e muita dedicação.

D-lon

Promover o e-commerce em África faz parte da missão do Jumia. Tendo em conta a importância da tecnologia nos dias que correm, acham importante existirem sites como este em África e em Moçambique, em particular?

Com certeza! Apesar do desenvolvimento tecnológico ainda estar num estado primitivo em Moçambique, cada vez existem mais moçambicanos com acesso a Internet e este acesso abre portas para que possam ter uma escolha para além da viabilidade do mundo físico.


Costumam fazer compras online? Há algum instrumento musical que sonhem em comprar?

Sim, alguns membros da banda fazem compras online com frequência. Todos os músicos têm o seu "dream setup" portanto, não fugindo à regra, o sonho de cada um é:

  • Leo: Fender Jazz Bass, Stingray Music Man bass, Ampeg Vintage Amp Bass
  • Luy: Gibson Les Paul, Marshall JCM 2000, Fender Twin Reverb Amp
  • Migz: DW Drumkit Collectors Edition
  • Miguel: Yamaha Motif XF6, Nord electro 5D 73, Korg Kronos X 73
  • Reg: Um novo Shure SM58 (gold)

Começaram recentemente a gravar o vosso álbum. Como está a ser o processo de gravação e quando é que os vossos fãs podem contar com o novo disco? Já o intitularam?

O álbum está prestes a sair. A nossa estimativa é que em Julho/Agosto já estejam disponíveis para o mercado online e físico. O título do álbum será "Gran'Mah".


Gran'Mah

Gran'Mah traz um estilo de Musica "Fusion" inspirada por diferentes artistas de diferentes eras e ganha esta energia e vibe positiva para introduzir uma nova forma de se fazer musica reggae misturada com dub, ska, hip hop, drum n bass entre outros estilos.

granmahband.com

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