Carrinho

Entrevista com Hugo Diogo aka Dygo Boy

23 de Novembro, 2015

Dygo Boy começou a carreira como MC, subindo aos palcos do tchova com rappers que no momento surgiam na praça. Em 2004 foi, a par do Bola de Prata, convidado pelo grupo de street rap B.O.C. (composto por Masta Bad, Carbono, 3H, Denny O.G, Dynomite) para integrar o grupo que se viria a chamar Magnezia. A par das suas funções como CEO da label Turma do Exagero Music, é também o apresentador do programa Atracções na TV Miramar, o meeting point dos artistas do mundo da música com rubricas como entrevistas, apresentações musicais, videoclipes, agenda, etc. Dygo é um jovem que sempre defendeu a cultura do hip hop em Moçambique e cuja entrevista trazemos esta semana no Jumia & Amigos.

Hugo DIogo aka Juru$

Podes falar-nos um pouco do teu percurso profissional até aqui? Como surgiu a tua paixão pela música e como começaste a trabalhar a área da comunicação?

Desde pequeno que faço hip-hop, sempre estive ligado directamente à cultura musical em Moçambique, já fiz parte de movimentos que são reconhecidos como pilares em etapas diferentes na música jovem, por exemplo 360 graus e Magnezia. Neste sentido, a paixão pela música já vem desde há muito tempo. Pela comunicação, [o interesse] surge numa etapa em que eu notava um défice na promoção adequada do artista moçambicano. Estavamos focados em intrigas e coisas que nos impediam o desenvolvimento. Quando surgiu a oportunidade de trabalhar em televisão após ter estado 4 anos na Banca, decidi seguir o meu sonho de ajudar a derrubar algumas portas para o desenvolvimento da música e cultura moz.

Estudaste marketing em Cape Town, África do Sul, onde deves ter ficado a conhecer a cena musical local. Consegues listar as principais diferenças entre o hip-hop da África do Sul e de Moçambique?

Eu sempre fui muito amante de hip hop, a principal diferença está na dimensão do mercado e o próprio investimento e plataforma que eles têm ao dispor. Estão criadas condições mínimas para legalmente obteres músicas e existe facturação, ou seja, remuneração adequada para o mercado internacional.


Fundaste a label Turma do Exagero Music, com artistas e grupos como Dinheiro Limpo, Lay low, Blanco, Ell Puto, T-reese, entre outros. Como surgiu esta ideia?

Primeiro, queria mostrar que jovens talentosos podem unir-se e juntos atingir uma meta que, neste caso, sempre foi levar o nome do nosso belo Moçambique além fronteiras. Em conversas com Lay Low, Ell Puto e Teknik, que trabalhava e os ajudava na promoção de trabalhos. Para firmar a parceria, teria que existir um nome e como sempre fui uma pessoa que gosta de se divertir, onde quer que eu e o meu amigo Guyzelh passávamos, o pessoal dizia "tão ai os donos do exagero". Aí, ficou simples e bastou unir o útil ao agradável.


És normalmente associado com o termo "Floss rap". Podes explicar aos nossos leitores em que é que consiste este estilo? Como o conheceste e em que medida é que te identificas com ele?

Gostaria de deixar bem claro que faço esse estilo desde 1998, com os meus amigos do bairro da cooperação: falo de Big Neo, meu nigga Dynomite e outros amigos que não são do cenário musical mas que foram influentes no nosso movimento local. Floss rap é o que actualmente chamam de rap comercial. Nos tempos que fazíamos era mesmo porque a gente vivia o que falavamos: se falavamos de roupas, é porque vestíamos essas roupas. Se falavamos de carros, é porque na garagem dos nossos pais existiam essas viaturas. Então sempre cantamos o que estava ao nosso redor e vivíamos o dia a dia. O que é gratificante é notar que fomos tão criticados por fazer esse estilo mas hoje em dia é o que todos os rappers cantam (a maioria sem realmente viver o que está dizer). É gratificante notar que tivemos uma grande influência para isso acontecer.


Como vês a evolução da área de comunicação e os media moçambicanos nos últimos anos?

Está boa, porque já temos mais canais televisivos, mais programas de rádio, mais jovens a quererem ser profissionais da comunicação e isso é bastante positivo! Mas acho que ainda estamos com missões individuais e não colectivas, que é desenvolver a nossa arte e cultura. Estamos mais preocupados com a audiência em vez da própria informação.


E na indústria musical, o que é mais urgente mudar?

Editoras, investimentos...precisamos disso urgentemente, sem esquecer da própria legislação do consumo de música estrangeira no país.


Falando um pouco mais de ti a nível pessoal, tens algum objecto, acessório ou gadget do qual nunca prescindes?

Relógio: não consigo nem dormir sem relógio no pulso.


Para terminar, mata-nos a curiosidade: se tivesses que escolher uma profissão que não aquela que tens actualmente, qual seria?

Algo que envolvesse ajudar o país directamente, gosto muito do país em que vivo e também sou formado em Marketing. Então seria algo que promovesse cultura ou o belo Moçambique. Vejo-me como um bom assessor de Turismo ou representante/porta-voz oficial da cultura jovem moçambicana.


Hugo DIogo aka Juru$

Hugo Diogo Mendonça, também conhecido como Dygo Boy é um rapper moçambicano, CEO da editora discográfica Turma do Exagero e apresentador do programa Atracções da TV Miramar. Nasceu a 25 de Abril de 1985 no bairro da Coop, na periferia da cidade de Maputo.

@Dygo_jurus

Sobre o Jumia & Amigos

Jumia & Amigos é uma rubrica dedicada a bloggers de moda, músicos, personalidades moçambicanas e todos aqueles que partilham das mesmas paixões do Jumia Moçambique. Ver todos os artigos